ONG prega sexo livre



Tommy e Leona são lindos, loiros e adeptos da causa ecológica. Podiam estar nas capas de revistas simbolizando o novo jovem ambientalista, não fosse um pequeno detalhe. Eles apoiam os interesses da natureza fazendo sexo.





"Salvar o planeta é sexy" e "Por que não ter tesão por uma boa causa?" são os lemas da ONG Fuck For Forest (algo como "transe pela floresta"). Criada pelo casal em 2004, na Noruega, a FFF é objeto de um documentário recém-lançado que tem causado polêmica em festivais nos Estados Unidos e na Europa e que deve estrear por aqui no próximo Festival do Rio.

"Queremos chamar a atenção para questões importantes: ecologia e sexualidade, a nossa 'natureza' como seres humanos", diz o norueguês Tommy Hol Ellingsen por Skype, de Berlim, ao lado da sueca Leona Johansson.



Fundada por um casal na Noruega, a ONG Fuck for Forest prega o sexo livre para proteger a natureza e vira tema de um documentário polêmico que tem provocado a platéia dos festivais de cinema
Tommy, 36, e Leona, 29, são namorados, mas não monogâmicos. São predominantemente heterossexuais, abertos a novas experiências. Ela curte exibicionismo. Ele gosta de sexo grupal.

A fórmula é simples: no site da ONG, fuckforforest.com, o grupo oferece fotos e vídeos deles mesmos e de voluntários, nus e em performances amadoras de sexo explícito, na maioria das vezes, no meio do mato.

Há dois jeitos de aderir à causa: sendo ativista erótico e doando suas fotos e vídeos ou pagando pelos registros do erotismo alheio uma mensalidade mínima de R$ 60 (o engajado é incentivado a doar mais).



Também estão à venda no site camisetas, pôsteres e calcinhas e cuecas usadas (O FFF adverte: "Normalmente, não usamos roupas de baixo porque não é saudável. Mas usaremos, por você, por um dia ou dois, só para deixá-las mais sujas"). O dinheiro arrecadado vai para projetos ecológicos em países como o Peru, a Costa Rica e o Brasil.

As imagens eróticas vendidas no site não são nada artísticas (e muitas vezes envolvem orgias e objetos curiosos, como milhos e cenouras). Mas eles compensam a sensualidade caseira e a falta de Photoshop, depilação e meia-luz com muita espontaneidade.



"Sexo ainda é um tabu para muita gente. E um dos nossos objetivos é ajudar as pessoas a entenderem melhor a sua sexualidade, não tratar o sexo como produto. Não fazemos pornografia e não dizemos para os voluntários o que fazer, como agir. Encorajamos a experimentação e a diversão. Queremos que seja natural, como se estivessem fotografando a natureza", diz Tommy, enquanto Leona observa quieta no canto da tela.

Cerca de 1.300 militantes já experimentaram, divertiram-se e doaram suas imagens eróticas em nome da causa ecológica, que, eles dizem, rendeu cerca de R$ 800 mil até hoje (aproximadamente R$ 89.000 anuais).

SE LARS VON TRIER PODE...



Quando Tommy e Leona decidiram criar o movimento, em 2004, tiveram o apoio do governo norueguês, que investia em novos projetos. Mas a alegria libertária durou pouco. A imprensa divulgou que o poder público estava patrocinando um tipo de "pornô ambiental" e a verba foi suspensa.

A treta com a Noruega cresceu ainda mais quando a dupla se apresentou no show da banda The Cumshots ("As Ejaculações"). O que para eles era uma performance foi interpretado como uma exibição de sexo explícito.

"Eles nos condenaram como se alguém fosse nos olhar e dizer: 'Ó, vi um casal fazendo sexo! Minha vida está destruída!", diz Tommy. "Por que, num filme do Lars von Trier, uma penetração pode ser arte e, num show de rock, não?"



Julgados e multados em R$ 3.400 cada um, Tommy e Leona juntaram as trouxas e se mudaram para Berlim, onde se sentiam mais livres. Lá, começaram a seduzir curiosos. Hoje, na lista de principais ativistas da ONG, a maioria é europeia, mas há também quatro brasileiros.

É TUDO ORGÂNICO!

Atraíram também o cineasta polonês Michal Marczak, que decidiu fazer um documentário sobre o projeto. Michal acompanhou Tommy, Leona e seus seguidores durante sete meses e retratou todas as atividades do grupo: o aliciamento de voluntários para fotos sensuais na rua, a busca por restos de comida no lixo (os FFFs levam uma vida frugal e seguem a filosofia do consumo mínimo) e o engajamento em atos sexuais, privados ou públicos.

Numa das cenas, Tommy transa com uma indiana diante de uma plateia de curiosos. No fim, exibe as mãos e diz: "Sangue e esperma!" Lambe as mãos. "É tudo orgânico!", proclama.



Apesar da cena embaraçosa, o filme tem poucas imagens de sexo explícito. A parte mais polêmica do documentário é uma viagem do grupo ao Peru, onde seus ideais são confrontados com a realidade. Eles querem oferecer ajuda financeira para a população de um pequeno povoado poder cuidar de suas árvores e também discutir sobre amor livre com eles.

Desconfiados, os peruanos não entendem o que os gringos fazem ali, acham que querem comprar suas terras. Eles não estão interessados em amor livre, querem empregos e serras elétricas.



O registro da suposta ingenuidade dos ambientalistas do amor fez o crítico do jornal britânico "The Guardian" classificar o filme como uma divertida "comédia involuntária" e enfureceu os integrantes da ONG.

Eles dizem que foram manipulados pelo diretor para ajudarem a tal comunidade, que não conheciam bem. "Estamos acostumados a ser mal interpretados. Mas o diretor mentiu para fazer um produto mais comercial", diz Tommy. "Tudo bem, acreditamos na liberdade de expressão. E ele tem liberdade de ser um idiota." Michal não respondeu ao pedido de entrevista de Serafina.








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